Minha experiência como professor de desenho tem me trazido grandes descobertas. É evidente que todo processo que envolve a relação entre professor e aluno consiste num ganho de ambos os lados. É aquela história: quem ensina, aprende, e quem aprende ensina, assim já dizia o velho ditado. De qualquer maneira, venho percebendo o quanto ensinar pode proporcionar momentos de profunda reflexão e paz, em especial ao notar o quanto os alunos, em meio à correria da vida, encontram uma pausa de algumas horas para se dedicar a si mesmos.
Quando me refiro à dedicação, enfatizo o grande potencial de valorizar o instante.
Diferente de uma máquina fotográfica, cujo propósito é congelar o tempo baseado no olhar do fotógrafo, desenhar é uma construção sustentada pela efemeridade, onde o propósito envolve não apenas congelar o tempo, mas esquecer tudo o que se passa ao redor. E aqui dizer esquecer, não se refere a uma alienação gratuita; mas à capacidade de se entreter no ofício da criação sem se preocupar com o tempo, seja com o passado ou com o futuro.
Nunca a palavra “presente” fez tanto sentido num processo como este. O aluno vira o centro do próprio universo, ali presente para criar, sem se preocupar com o que veio antes e o que virá depois. Assim sendo, ouso dizer que dar aulas de desenho é uma bela terapia pra quem aprende e pra quem ensina.
É o que estou vivendo nos últimos meses.
Entre ensinar como aplicar luz, sombra e volume, até mesmo a teoria das cores, mais do que entender a técnica, momentos de calma e dedicação são cultivadas durante o processo.
Não à toa, venho recebendo ótimos feedbacks sobre as aulas, entre os quais o grande prazer de pôr a mão na massa é o mais frequente. Especialmente num mundo onde a inteligência artificial vem tomando cada vez mais espaço.

